domingo, 12 de julho de 2009

As águas

Hoje, em mais uma caminhada-treino, o crepúsculo presenteou-me com a bela imagem acima. Olhando para o Rio Paraíba, o peregrino -mais uma vez- foi perturbardo pelo provérbio popular :


Águas passadas não movem moinho.


Mesmo que desejássemos parar um momento, porque ele foi muito bom, isso não é possível. Tudo está em constante movimento, transformação. Heráclito já dizia que nunca se cruza o rio pelo mesmo lugar, mesmo que a nós assim pareça. A água já não é mais a mesma, tudo mudou -menos o desejo do homem de permanecer frente ao efêmero. Sim, Parmênides tentou. O peregrino também. Tentamos entender o mundo capturando um momento, na esperança de tirar energia infinita, eternamente renovável, de um momento estanque. Um dia de felicidade para dar movimento a uma vida inteira -que poderia ser infeliz!


Ao caminhar, mesmo que ainda treinando, o peregrino percebe que tudo muda. Quero que o bom dia permaneça...mas além de ser história, e ter influenciado o presente, que energia traz o passado? Águas passadas podem mover o moinho? Podem ser energia inesgotável? Tudo indica que Herácito de Éfeso tem razão -que não! O peregrino espera ter alguma epifania sobre o assunto durante a caminhada, contemplando os belos rios que a cruzam.

2 comentários:

  1. "O verbo passar é um verbo estranho. Há nele algo de impermanente e ao mesmo tempo algo de perpetuidade. Quem passou já não mais está; permanece, no entanto, o registro. Se não lembramos de um momento de alegria ou de sofrimento, ele não existiu. Uma máxima da sabedoria Idische diz: 'O que foi, foi e não retorna' e quem viver viverá para compreendê-la."

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  2. É essa substância do verbo passar que intriga o peregrino! Obrigado pela sua contribuição...

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